Exotização e Hostilidade Em “Um Ano Na Argélia, Excursões e Souvenirs” (1887)
DOI:
https://doi.org/10.34623/DAMeJ.2023.43.177Palavras-chave:
Relatos Túristicos de Viagem; Arte Orientalista; ColonialismoResumo
Os relatos turísticos de viagem ilustrados sobre aos territórios colonizados pelos franceses no Norte da África difundiram, por meio de imagens e textos, estereótipos que definiram seus habitantes como “bárbaros”, “apáticos” e “sensuais” - dentre outros adjetivos nada enaltecedores - e contribuíram para justificar o colonialismo ‘civilizador’ das grandes potências europeias. Partindo dessa premissa, o artigo apresenta a análise do relato de viagem Um Ano na Argélia, escrito em 1887 pelo francês M.-J. Baudel. Nossa análise da obra, que compreendeu textos e imagens como discursos, - tal como o conceito é pensado por Michel Foucault -, nos conduziram à conclusão de que os relatos turísticos de viagem revelam como hostilidade e hospitalidade se confundem e se misturam nesses relatos ilustrados destinados a estimular os viajantes, tornando-se essa imbricada relação entre colonizadores e colonizados parte relevante da constituição do imaginário turístico sobre os territórios colonizados.